Outro ponto de incerteza quanto ao futuro está no elevado grau de endividamento dos EUA. Segundo a Moody’s Analytics, o endividamento crescente das organizações não financeiras, bem como o aumento dos títulos de dívida empresarial de maior risco financeiro, levarão a uma nova crise financeira nos EUA e, depois, em todo o mundo. Da mesma forma, a China continua crescendo, ainda que sob taxas mais moderadas, apoiada em um modelo perigoso de endividamento público e privado que chega a 20 “Brasis” e parece só continuar a crescer. Segundo a Bloomberg, para cada dólar tomado emprestado pela economia Chinesa apenas 25 centavos são criados na economia real.

Esses pontos são molduras de qualquer cenário econômico para o ano de 2019. No Brasil, a indústria de petróleo e gás vive uma nova realidade, em 2012 a média do brent foi de US$ 110,00, com câmbio médio de R$1,92. Hoje temos o brent de US$ 60,00, com cambio de R$ 3,70.

De acordo com o BNDES, em 2018 foram investidos R$ 57 bilhões no setor, e para o triênio 2019-2021 projeta-se um investimento médio anual de R$ 72 bilhões. Esse investimento é 15 vezes o previsto para o setor automobilístico e oito vezes para o setor de alimentos. Até 2027, a produção de petróleo no país deverá dobrar, alcançando 5,1 milhões de barris por dia.

O avanço da exploração de áreas do Pré-Sal e os novos leilões indicam aumento da participação das majors internacionais. A indústria de campos maduros, com exploração de O&G desverticalizadas, viabilizam as áreas de produção onshore e isso se ajusta ao plano de desinvestimento da Petrobras.

Parte desse efeito multiplicador de expansão industrial será para as soluções complexas de engenharia e automação. A cadeia de O&G é complexa e ao redor de dezenas de petroleiras há centenas de fornecedores. Ou seja, apesar dos riscos sistêmicos, o cenário provável é que possivelmente teremos um novo boom no mercado de petróleo e gás.

A indústria de O&G tem perspectivas muito animadoras e desafios tecnológicos complexos, mas o domínio dessas competências pode propiciar soluções customizadas para outros setores.

É uma indústria de cauda longa, com efeito indutor forte e um dos segmentos que mais impacta na estrutura industrial. A média anual na última década de dispêndio em Pesquisa e Desenvolvimento foi de um bilhão de Reais.

Na cadeia produtiva complexa de O&G, deve-se buscar identificar um mapa do mercado fornecedor e as novas oportunidades. Outra tarefa está em identificar o grau de maturidade da indústria local e os novos condicionantes de um modelo mais competitivo e mais aberto de integração internacional.

Outra premissa estratégica será a das competências da indústria 4.0 (produção integrada e conectada, inteligência artificial, big data, indústria aditiva, entre outros). Todos os desafios da transformação digital e manutenção remota devem impactar muito as atividades dessa indústria. Atuar em processos com gestão avançada de produtividade será uma exigência de qualquer pacote de soluções em automação.

Mauricio Campos e Rafael Lucchesi. Economistas e sócios fundadores da Ceteris Participações